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Cérebro de Maguila é doado para estudos sobre doença provocada por golpes

O ex-boxeador Maguila, ícone do esporte brasileiro, deixou um legado importante até mesmo após seu falecimento. Recentemente, seu cérebro foi doado para estudos científicos e agora faz parte do único banco nacional dedicado a investigar doenças neurológicas aqui no Brasil. Esse banco é gerido pela Universidade de São Paulo (USP) e é uma iniciativa fundamental para entender melhor condições como a que Maguila enfrentou.

A doação aconteceu logo após o velório do atleta, que foi realizado na sexta-feira, dia 25. A viúva de Maguila, Irani Pinheiro, explicou que a decisão foi tomada enquanto ele ainda estava vivo. “A gente resolveu fazer isso por conta da doença. Fizemos isso ontem, no dia 24,” disse ela, emocionada durante a cerimônia. Essa atitude mostra um profundo amor e respeito pela ciência e pelo legado que Maguila deixou.

O neurologista Renato Anghinah, que acompanhou a saúde do ex-pugilista, acredita que essa doação pode ser um divisor de águas nos estudos sobre a Encefalopatia Traumática Crônica (ETC). Essa condição, que Maguila enfrentava, é degenerativa e geralmente acontece em pessoas que sofreram traumas repetidos na cabeça, como os atletas de esportes de contato. “A doação pode ajudar a encontrar maneiras de amenizar a doença ou até mesmo descobrir uma cura no futuro,” afirmou Anghinah.

Maguila não é o único esportista brasileiro a fazer esse gesto. Outros dois atletas, o jogador de futebol Bellini e o boxeador Éder Jofre, também doaram seus cérebros para a pesquisa. Agora, os cérebros desses três ícones estão no banco nacional, que conta com mais de dois mil órgãos coletados para o estudo de várias doenças neurológicas. A administração do banco fica por conta do Gerolab, um laboratório da Faculdade de Medicina da USP.

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Anghinah explicou que ter essa amostra é crucial. “Quando conseguimos comparar os diagnósticos feitos em vida com o que encontramos depois da morte, conseguimos avaliar se o diagnóstico clínico estava certo. Em doenças como a ETC e o Alzheimer, temos uma concordância de mais de 80% entre os diagnósticos,” disse ele em uma entrevista para a CNN. Isso é muito importante, pois ajuda os médicos a entenderem melhor essas condições e melhorarem os tratamentos.

Maguila começou a falar sobre sua condição em 2018, mas segundo Anghinah, ele já estava consciente da importância de contribuir para a ciência desde que soube da gravidade de sua doença. Isso mostra um lado altruísta e comprometido do ex-atleta com a busca por respostas que podem ajudar outras pessoas no futuro.

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