Denise Fraga presta comovente homenagem no aniversário da mãe: “Minha fênix”
Atriz Denise Fraga usou as mídias sociais para prestar uma comovente homenagem a sua mãe, dona Wilma Fraga, que completou 83 anos de vida neste sábado, (6). Em seu perfil no Instagram, a artista compartilhou alguns cliques da aniversariante e recordou uma ‘brincadeira’ que ela fazia com os filhos.
“A Bela Adormecida. Minha mãe se fingia de morta. Éramos crianças. Chamávamos por ela e ela continuava ali, inerte, no sofá. Quando estávamos prestes a chorar, ela acordava com uma gargalhada divertida, rompendo com o nosso possível desespero. Fomos nos acostumando com a brincadeira. Brincadeira de péssimo gosto, eu sei. Mas, na época, eu não sabia nem o que era gosto. Acabava achando divertido. Ou achava que devia achar. E o alívio que eu sentia ao ouvir a gargalhada dela era realmente um grande prazer”, iniciou.
“Na minha memória, ficou mais o alívio do que o desespero. Acabei achando o meu divertimento em brincar com aquela morte. Por vezes, eu até encenava um desespero a mais pra que ela ficasse feliz com a eficácia da encenação de sua Bela Adormecida de quem já bem sabíamos a ressurreição. Travávamos, só hoje percebo, uma pequena competição de fingidoras. Eu fingia desespero para fingir acreditar no que ela fingia, e ela talvez já fingisse acreditar no meu desespero fingido. Mas nunca falamos sobre isso, nem institucionalizamos a brincadeira como Teatro. Eu cumpria bem o meu papel. Queria que ela acreditasse que eu ia chorar muito se ela morresse. E ia. E vou”, acrescentou.
Logo depois, Denise contou que uma vez sentiu raiva da brincadeira da mãe. “Um dia, ela esticou um tanto mais o tempo e eu realmente acreditei. Gritei de verdade. Ela acordou sem rir. Me abraçou, terna, como se eu lhe tivesse feito uma grande declaração de amor. Naquele dia, senti raiva. No seu olhar, entendi pela primeira vez que naquelas “mortes” habitava a sua total carência por demonstrações de afeto. Nunca entendi exatamente o porquê, a raiz dessa mulher pidona de afeto. Dona Wilma sempre foi muito querida. Colecionou fãs, pedagoga amorosa. Tenho muitos irmãos espalhados por aí, frutos de sua maternidade afetiva. Se cobrava amor, era perdulária em gastá-lo. E, gastando-o, viveu a vida. Aproveitou tudo. Aquela mesma que brincava com a morte fumou, insolente, quatro maços de cigarro por dia durante décadas. Comeu e bebeu o que bem quis. Gulosa da vida, sorveu-a em goles fartos.”
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