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Demitida da Globo após 42 anos, veterana repórter desabafa em carta

A jornalista Neide Duarte foi demitida da emissora Glogo após um acordo que encerrou à parceria de longa data. A comunicadora de 71 anos atuou na emissora entre 1980 e 1997, e depois de 2005 até o fim de novembro. Nesta segunda (5), ela deixou uma carta aos colegas de emissora, a qual o site mostraremos logo abaixo.

– Não quero ser triste, nem dramática, mas vou morrer de saudade – disparou agora a ex-funcionária da emissora de Roberto Marinho na longa carta.

Vale ressaltar que, a comunicadora estava no ar atualmente com o programa dominical Globo Rural. Ela já apresentou inúmeros programas da emissora como Jornal Nacional, Bom Dia Brasil, Jornal Hoje e SP1. Em seu currículo, destacou-se nesse período como repórter especial do Globo Repórter e do Fantástico.

No pequeno espaço de tempo em que esteve fora da emissora da gigante carioca, a comunicadora passou pelo SBT e pela TV Cultura de São Paulo. Os trabalhos nesta última lhe renderam prêmios como Líbero Badaró e Vladimir Herzog.

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Na carta, Neide fez questão de agradecer os colegas, incluindo o chefe Ali Kamel, atual diretor de Jornalismo da Globo.

Confira na íntegra:

Entrei na TV Globo de SP em 1980 como repórter. Saio agora, 42 anos depois ainda como repórter. Ser repórter foi sempre o que eu quis ser.

Assim como as abelhas novas, que ao sair pela primeira vez da colmeia, saem de costas e ficam paradas no ar por um tempo até guardar na memória o desenho da casa onde moram, para conseguir voltar depois, eu também fui saindo aos poucos, de costas, para guardar para sempre aquela imagem de alegria, excitação e entusiasmo, que enxerguei um dia na redação da TV Globo de SP.

A redação da Praça Marechal Deodoro, nos anos 80, foi das melhores em que trabalhei. Era uma concentração de talentos, jornalistas vindos de jornais impressos, de revistas e de outras emissoras de TV. Com eles aprendi a escrever. Aprendi que era melhor ser simples do que barroca, despretensiosa do que solene.

Aprendi a errar. Aprendi que está na rua a essência do ofício do jornalista.
Aprendi que repórter não trabalha para agradar ninguém, nem chefia, nem torcida. E assim nunca espera reconhecimento.

Aprendi que repórter não pode perder o rumo da matéria diante da euforia coletiva ou da tragédia. O que a gente leva dessas reportagens, para sempre, é a alegria ou a dor dos outros. E depois viramos outras pessoas, transformadas por aqueles acontecimentos. É um trabalho, mas parece com a vida. Aprender leva tempo e agora, depois de 42 anos, sinto que estou no caminho certo, pronta para continuar o aprendizado.

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